Voltando… quiçá

Vou procurar postar com mais frequência. Sei que ando sumido, e não há um único motivo para isso.

Talvez os motivos estejam mais vinculados ao Cinem(ação) que, somado ao trabalho, consomem quase todo o meu tempo. Outro motivo talvez seja o pouco tempo que tenho dedicado à TV. Como eu falava muito de TV, acabei  ficando sem assunto.

Talvez seja apenas um hábito que estou mudando: ver menos TV pode ser bom porque sobra mais tempo para outras coisas. Se eu estivesse lendo mais livros, seria ainda melhor.

No entanto, vou voltar a falar de assuntos variados. Pelo menos vou tentar.

Estaria o mundo piorando?

Talvez isso seja um pensamento de velho. Mas, infelizmente, é o pensamento que paira em minha mente vez ou outra. Tenho contato com muitos adolescentes entre uma aula e outra que leciono. A impressão que eu tenho é que cada vez menos se valoriza o conhecimento ou o pensamento crítico. Os jovens simplesmente não dão importância para isso e, consequentemente, não dão importância ao que o professor, a instituição escolar ou qualquer outra fonte de conhecimento.

O instantâneo é cada vez mais valorizado. Como se o perene não merecesse a atenção justamente porque temos a ilusão de que ele pode ser alcançado a qualquer momento, em um banco de dados gigantesco chamado internet.

Acredite: existem pessoas que não sabem que a capital da Espanha é Madrid. Simplesmente não sabem, e não são pessoas com pouco acesso ao ensino ou sem privilégios. Não ter esse conhecimento não seria problema algum se não houvesse o segundo dos problemas: ao receber a informação, muitas tratam com desdém e simplesmente não se importam em ter essa informação. Se um mero conhecimento básico como a capital de um importante país já é motivo de desinteresse, o que podemos pensar a respeito de um pensamento mais complexo que se proponha a eles?

Será que teremos uma geração de pessoas absolutamente preguiçosas, acostumadas a apenas curtir e compartilhar imagens vazias de sentido em redes sociais?

Uma princesa

Um dia, bateu uma ideia. Surgiu, sabe-se lá de onde. Anotei e, como sempre, me esqueci. Ontem, descobri que precisava voltar a escrever. Botar os dedos pra trabalhar. E aí me lembrei da anotação, procurei e pensei. As palavras começaram a brotar e eu deixei. Saiu isso. Diferente do que eu planejei inicialmente, mas acho que ficou bonito. Se gostou, comente. Continuar lendo

Novo Feliz

Tudo estava impecavelmente arrumado. A ampla sala de estar tinha todos os bibelôs no lugar, as almofadas organizadamente distribuídas pelo sofá branco, os tapetes devidamente enquadrados no piso. Pela varanda cheia de vasos, plantas e poltronas, via-se quase toda a cidade, cujas luzes já se acendiam, confrontando a já enfraquecida luz do sol, que se apagava no horizonte. Os porta-retratos mostravam pares de sorrisos que se repetiam: embora os rostos variassem de jovens a idosos, as paisagens e a tonalidade das cores fossem diferentes, eram as mesmas pessoas fotografadas ao longo de suas vidas. Continuar lendo

Ano, memória, blablablá

O ano vai chegando ao fim. E com ele, as listas, os “Top 10” e as retrospectivas. Isso é muito bom, porque só então eu percebo que minha memória é curta.
Não me lembrava da morte do ex presidente Itamar Franco… se não fosse a retrospectiva e eu tivesse um programa de TV, correria o risco de mandar um beijo pra ele.
Não sei se por muito trabalhar ou se porque tenho parafusos faltando, tinha a impressão de que a minissérie “Amor em 4 atos” havia sido exibida há uns dois anos. Mas se a lista de “melhores da TV” diz que é um dos melhores de 2011, eu acredito. O mesmo com “Cordel Encantado”, que eu não pude acompanhar e na minha cabeça parece que foi há um bom tempo.
O Bin Laden morreu… ou não. Tem coisas que só acredito vendo, e como não vi, prefiro deixar na coluna de “dúvidas” do meu “Excel cerebral”.
Mas o meu cérebro funciona diferente dos cérebros normais. Não sei se isso é melhor ou pior, mas é.
O fato é que 2011 foi um ano bom por muitas coisas. No âmbito pessoal, profissional (embora pudesse ser melhor) e teve diversos altos e baixos nos quesitos política, economia e TV… como todos os anos.
Como sempre, o ser humano tenta medir o imensurável, objetivar o subjetivo. O tempo,ao contrário do que pensamos,não é mensurável, e vai além da contagem de segundos-minutos-horas-dias-meses-anos. Cada um tem o seu tempo, o seu período de transição.
Dizem que fim de ano é época para refletir, repensar, renovar, blablablá. É se você quiser. Se não quiser, isso pode ser feito em qualquer época do ano.
Aliás, uma vez por ano é pouco.

A desmoralização do poder legislativo

Recentemente, acompanhei dois acontecimentos muito semelhantes.

No começo da semana, por meio da rádio Band News FM, fiquei sabendo que os vereadores da cidade de Campinas votaram o aumento de 126% do próprio salário. Os membros do legislativo campineiro passarão a ganhar 15 mil reais por mês a partir de 2013. Como se isso não bastasse, o mesmo ocorreu ontem na minha cidade. O salário dos vereadores ituanos passará de 6 mil para 10 mil reais mensais. Embora com uma certa vergonha, não posso deixar de destacar que um dos vereadores que votou favorável ao aumento em Itu é meu próprio pai.

O poder legislativo no Brasil está completamente desmoralizado. Isso acontece devido a vários fatores:

1- O povo brasileiro não entende o que fazem os vereadores, deputados e senadores. Por isso votam em “qualquer um”.

2- Além de terem uma máquina pública caríssima e muito ineficiente, os membros do poder legislativo existem em número muito maior do que necessário. Em Itu, por exemplo, são 12 vereadores, quando apenas três conseguiriam fazer o mesmo trabalho, com ainda mais eficiência.

3- A corrupção. Não preciso nem perder meu tempo em dar detalhes. Claro que existe corrpução em todos os âmbitos, profissões e patamares da sociedade, mas os políticos conseguem fazer coisas absurdas e ainda acham perfeitamente normal. Pior que isso: não recebem uma punição sequer.

4- Conchavos. Os vereadores, deputados e senadores da Brasil não votam naquilo que acreditam ou no que pensam. Votam naquilo que foi “combinado” entre os membros do grupo político ao qual pertencem e, na maioria das vezes, são coordenados pelos prefeitos, governadores e outros membros do poder executivo.

E coisa vai piorando e se tornando algo muito mais complexo.

O fato é que uma sociedade não deveria permitir que uma classe de “profissionais” escolha o próprio salário. Ou você já viu alguma empresa que contrata funcionários e pede que eles escolham o quanto querem ganhar?

A população se revolta, mas não encontra mais nada que possa fazer. Xinga no twitter, fala mal no facebook, e embora haja maneiras de lutar contra tudo isso, é difícil unir e conseguir força para “derrotar os poderosos”.

Nosso poder continua sendo o voto. É uma pena que o povo brasileiro seja, em grande parte, ignorante e despreocupado com a política, além de ter uma memória muito curta.

Aqui em casa a discussão foi acalorada, e pelo menos tive a oportunidade de fritar um vereador com “poucas e boas”, algo que todo mundo gostaria de fazer.

Vale lembrar: só fiquei sabendo da decisão quando ela já estava sacramentada.