Público infantil é sazonal? Ou: porque o SBT não deveria fazer Chiquititas

O sucesso de Carrossel foi tão grande que o SBT ficou inebriado. Já está preparando uma nova versão de Chiquititas para substituir a trupe da professora Helena.

Mas recentemente a audiência da novela tem mostrado que o público infantil se cansa desse tipo de produto. Não que a audiência de Carrossel esteja ruim, muito pelo contrário. Vai bem, apesar de algumas quedas denunciarem um certo cansaço.

Nem Freud consegue explicar ou entender o público infantil. Ao mesmo tempo  que ele é carente de boas produções na TV – recentemente, a Record, que não vai bem das pernas, conseguiu primeiro lugar de audiência com Pica-Pau, provando isso – as crianças parecem viver de temporadas. Assistem a uma novela por um tempo e depois se cansam. Se não terminarem Carrossel logo, a coisa pode piorar. E eu não coloco muita fé em Chiquititas… pelo menos não para bombar em audiência, já que pode chegar para um público cansado.

É difícil conquistar as crianças, e quando se as conquista, o público fiel garante bons resultados. Mas é preciso ter cuidado. A própria Record cancelou Rebelde por audiência baixa.

Será que as crianças não preferem uma série de TV, com temporadas mais espaçadas?

Fica a pergunta.

Anúncios

Enquanto isso…

Enquanto a gente vai estudando, trabalhando e ficando fora de casa mais que o necessário, as coisas vão acontecendo.

Os ministros do Supremo estão votando. Tudo promete que não vai acabar em pizza, embora seja cedo para dizer.

As Paralimpíadas estão tendo mais destaque na Globo que as Olimpíadas. Talvez isso seja bom. Talvez não seja bom nem ruim. Mas é estranho.

-Aí a Record resolveu criar a tal “Fazenda de Verão” e botar o Rodrigo Faro… afinal, o Brittão vai apresentar um programa diário nas tardes, sendo que antes seria o próprio Faro, que no fim das contas ficou a ver navios e saiu do Ídolos pra deixar pro Mion… capisce?

-E aí a Ana Hickman chamou a mulher do dono da RedeTV! pra apresentar o programa dela. Eu queria que isso acontecesse só pra escutar as piadas dos humoristas de stand-up a respeito disso. Se bem que se a RedeTV! tiver mais um sócio, vai diluir a piada.

-Apesar de a emissora barrafundense ter recuperado a vice liderança, Carrossel continua firme e forte.

-E a Caarminha segue reinando. Oi oi oi.

Assim caminha a humanidade…

Lembro quando tocava essa música na televisão todas as tardes. Era mais ou menos o horário em que eu assistia Malhação. O que mais me marcou foi a música do Lulu Santos e uns momentos “videoclipe” da novela em que eles mostravam alguma mulher fazendo exercícios… de vez em quando mostravam homens também, e hoje eu associaria a cena com umas que são exibidas no Multishow (ou eram… faz tempo que eu não vejo).

Não venha me dizer que eu sou “safadinho”. Todo mundo é. (risos)

Depois disso, lembro de ter assistido às primeiras temporadas da novela logo que “abriram” o Múltipla Escolha. Lembro da Priscila Fantin, da Samara Felippo, do Cabeção…

Agora, após algumas escolhas erradas, a Globo resolveu modificar a Malhação para se ajustar aos jovens da atualidade. Aliás, buscar uma maneira de conquistar os adolescentes tem se tornado cada vez mais desafiador… talvez a melhor maneira de atingi-los é ir pra internet.

O fato é que cada vez mais se torna difícil entender o que pensam os jovens. Talvez porque eles não estejam pensando muito, apenas “indo com o fluxo” das correntes sócio-midiáticas. Afinal, os jovens de atualmente podem ter evoluído das gerações anteriores, mas muito pouco. Como diria Lulu Santos: “com passos de formiga e sem vontade”.

—–

Só pra comentar um pouco algumas coisas da TV:

-A base da boa audiência das grandes emissoras continua sendo, e será por muito tempo, a teledramaturgia. Máscaras e Carrossel estão aí para provar isso: uma do lado negativo, outra do lado positivo.

-Fez bem a Record em colocar Ana Hickman e Britto Junior em um programa vespertino. Mas se for pra ser qualquer coisa muito diferente do antigo (e ótimo) Tudo a Ver, vai ser uma pena.

-Falando em Record: com certeza o alto escalão da emissora ficou super feliz com a seleção brasileira ter chegado na final das Olimpíadas, mesmo sem ganhar. Mais que feliz que isso, só agora que o Russomano cresceu nas pesquisas para a prefeitura de São Paulo.

– Dia 21 de Agosto começa o horário eleitoral gratuito. Medo.

Quero aproveitar para fazer propaganda do Podcast do Cinem(ação). Para ouvir (já temos quatro, caminhando para o número cinco), basta clicar aqui.

Embarque neste Carrossel…

E o SBT estreou a sua novela infanto-juvenil Carrossel. Os primeiros minutos já mostraram a que veio a nova adaptação do SBT: criancinhas falando textos “decoradinhos”, atuações “bregas” e personagens clichêzíssissíssimos #patriciapoetafeelings.

Além de tudo isso, a novela conta com Rosanne Mulholland super parecida com a Paola Oliveira no filme “Uma professora muito maluquinha” (teria sido proposital?).

São parecidas, não são?

A versão brasileira de Carrossel está sendo produzida em 2012… mas se tivesse uma imagem um pouquinho mais piorada, ninguém diria. Afinal, tem todas as características de uma novela das décadas de 1980-90. O menino malvado, a “patricinha má”, o mocinho, a gordinha. Todos em uma escola colorida e irreal. Nada por lá parece ser brasileiro, ou corresponder ao que vivemos na realidade de hoje.

Mas quer saber? É disso que as crianças precisam. De sonhos. De personagens que, por mais clichês que possam ser, representam a inocência perdida das crianças de hoje.

Em meio às atrocidades da vida, as crianças precisam de um mundo “faz de conta”, onde a terra é quase céu.

Xuxa

Não. Eu não gosto da Xuxa. Nunca gostei. Sou da geração da Angélica (e deveria ter vergonha de fazer tal afirmação neste blog).

Nem sei o que pensar daquela entrevista que ela deu ao Fantástico. Me pareceu tudo muito falso, forçado. Ela conseguiu a façanha de “bater em cachorro morto”. Dois, ainda por cima. Por que não falou coisas polêmicas dos vivos? Do Pelé? Do Szafir? E por que falou só agora?

Embora a “Rainha dos baixinhos” e dona do bordão “Ahã Cláudia, senta lá” não esteja na minha lista de seres humanos favoritos, também não acho justo “linchar” a imagem da apresentadora. Se ela fez filmes “eróticos” erotizou a infância, foi em outros tempos. Não dá pra condenar alguém pelo seu passado. Fosse assim, muita gente deveria pagar pelos pecados antes da Xuxa.

—–

O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou uma série de medidas que farão aumentar a oferta de crédito para compras de carro. Como se já não bastasse o trânsito caótico nas grandes cidades do país. Redução de IPI e IOF vão fazer o consumidor brasileiro comprar, comprar e comprar. E se endividar, endividar e endividar. O objetivo é que a indústria no país cresça bastante. A medida corrobora com a ideia de que o Brasil quer fazer de tudo pra crescer. Mas tem que tomar cuidado… isso tá parecendo a Record… EITA! Agora eu entendi tudo. O quê? Ah, esquece.

—–

Pretendo tecer comentários sobre Carrossel. Em breve.

Com passos de formiga e sem vontade

Parece que é assim que a TV caminha. Lentamente.

Não sei se sempre foi assim. Apesar de tudo, não entendo muito sobre a história dessa caixinha que não é mais caixinha.

Por mais que alguns canais invistam em teledramaturgia ou novos programas, e por mais que melhores, parece que tudo fica sempre a mesma coisa: todo mundo com a mesma “cara”, os mesmos bons momentos, as mesmas dificuldades. Pra cada passo que se dá pra frente, parece que dão outro pra trás e, assim, ficam no mesmo lugar.

Por essas e outras, cansei um pouco disso tudo.

Claro que surgem algumas mudanças por aí. Boa safra atual de novelas, boas séries e minisséries (na Globo, Record, HBO…), Band crescendo, RedeTV caindo, SBT caindo/crescendo.

As coisas vão mudando, pero no mucho.