Ler-sentir

O mais importante em um livro são os sentimentos.

Acabei de ler “Cacos Para um Vitral”, de Adélia Prado. Encontrei o livro em meio a tantos outros na prateleira, puxei e simplesmente levei pra casa. (Sim, eu paguei por ele. Não sou ladrão. Mas a sequência de ações ficava mais bonita se não tievesse o verbo pagar).

Enfim. O livro é simples. Simplicidade na sua melhor concepção. Bonito, gostoso de se ler. Como pão de queijo. Afinal, Adélia Prado é mineira não só de nascimento… ela é mineira nas palavras, na doçura, na narrativa.

São esses os sentimentos que carrega o livro de Adélia Prado. Isso importa.

Livro bom, pra mim, é aquele que marca um determinado sentimento.

Eu não preciso me lembrar dos acontecimentos de “A Metamorfose” de Kafka… basta lembrar da sensação de asco, impotência e claustrofobia que tive quando li o livro. O que mais marcou em “No caminho de Swann”: a solidão. O que senti com “Grande Serão: Veredas”? O sertão e sua magia. E o que pode ser melhor que mergulhar na fantasia de Harry Potter durante longas horas e sentir que tudo é possível quando se pode ter o privilégio de sonhar?

Ler e sentir são verbos a serem conjugados juntos.

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Tem que acrescentar

Eu imagino que escrevo coisas que acrescentem algo a quem lê. Não que eu seja um gênio ou algo assim, mas eu realmente tento acrescentar algo a quem lê.

Quando se lê um texto, um livro, uma reportagem, etc, deve-se terminar com a sensação de que algo lhe foi acrescentado. Se não, não valeu a pena.

É muito subjetivo a definição do “algo” que se acrescenta. Um romance, por exemplo, pode acrescentar emoções ou sentimentos.

Acabei de ler um texto de blog que não acrescenta nada. Ele fala sobre a vida empresarial, empregos e coisas parecidas. Quando alguém diz que não sabe que carreira seguir, o escritor enrola ao máximo até chegar a uma conclusão incrível: “pense bastante”. Ora bolas: alguém que ainda não escolheu a carreira certa (seja aos 18 ou 81 anos), o que mais faz é pensar a respeito disso. No fim das contas, o texto não acrescentou nada.

Infelizmente, as livrarias estão cheias de livros de auto ajuda que não servem pra nada. Após ler um livro desse tipo (sim, já tive essa experiência), o leitor sente um vazio muito grande. É como se, por não acrescentar, o livro retirasse algo do leitor.

Não acredite em livros que te ensinam como ganhar dinheiro, como ter uma boa relação com seus familiares, ou como ser feliz. Todos esses livros repetem informações que, no fim, todos conhecem, apenas de uma maneira floreada.

Pode ser que meu blog, em alguns momentos, não acrescente nada aos leitores. Mas pelo menos eu não ganho dinheiro em cima dele (risos).