O tal do diploma

cafejornalJá faz uns dois meses que eu tenho uma resposta na ponta da língua para a pergunta “qual a sua profissão?”. Jornalista, respondo sem hesitar. Não tenho diploma de graduação em jornalismo e ainda não terminei a pós-graduação. Mas já sou jornalista, sem dúvida. Sempre gostei de escrever, gosto de relatar aquilo que vi(vi), e cada vez mais me surpreendo com a beleza de descobrir novos mundos, ler o que nunca li, falar sobre temas que até ontem eram raros no meu repertório.

Entendo que muitos graduados em jornalismo são contra a não-obrigatoriedade do diploma, e confesso que nem sei o que a lei está exigindo no momento. Quando estudava Letras, eu era contra a existência de qualquer pessoa dando aulas que não tivesse algum curso de licenciatura. Acho natural, afinal temos sempre a tendência ao protecionismo.

Mas o questionamento que faço hoje não é somente em relação ao diploma de jornalismo, mas de qualquer curso e área. Vivemos um momento em que o conhecimento é tridimensional em vez de unilateral. A maioria das profissões não exige conhecimento aprofundado em uma área, mas uma visão muito mais abrangente de diversas áreas. Aliás, tenho visto cada vez mais pessoas formadas em cursos não relacionados à profissão que escolheram seguir: chefes de departamento formados em engenharia, psicólogos formados atuando como vendedores, médicos que abriram um bar. Mais ainda, é comum ver pessoas que alternam suas profissões e empregos: eletricista por 10 anos e professor de inglês nos 10 anos seguintes, por exemplo.

É por isso que um professor bom pode ser, quem sabe, um ex-porteiro de prédio, e jornalista bom pode ser um ex-advogado. A formação em engenharia pode ajudar um funcionário a desenvolver boas estratégias de marketing para a empresa. Fiquei feliz quando vi que a editora de treinamento da Folha de São Paulo disse que “o que se vê, em geral, é que estudantes que concluíram outras graduações, como história ou direito, têm uma formação teórica melhor”. E não me espanto.

Não acho, com isso, que ninguém mais deve fazer faculdade de jornalismo. Se tivesse tempo ou uma graduação muito diferente (tipo Farmácia), eu certamente faria. Mas acredito ser importante que uma redação de qualquer veículo tenha pessoas com diferentes “backgrounds”. Também não desejo corroborar com a falta de estudos: os diplomas de graduação são importantes e é bom que todos façam um curso superior quando tiverem a oportunidade.

Mesmo assim, devemos entender que há algumas profissões que exigem graduações específicas, principalmente nas áreas médicas. Para advogar, creio ser importante alguém devidamente cadastrado na OAB. Não deixaria construir minha casa um arquiteto que não tenha um número do CREA. E jamais aceitaria um médico que não cursou medicina e nem tem um CRM.

Para escrever, apurar fatos, atuar com ética e contribuir por uma sociedade mais justa, é necessário entendimento de texto, muita leitura, força de vontade e pensamento crítico. Isso não se aprende em faculdade.

A vida

jornalismo_clarkkentEis que eu volto a este blog exatamente um mês após o post anterior. Acredito que um dos motivos é a falta de TV, já que eu estava escrevendo muito sobre o tema mas tenho acompanhado. Desta vez, venho falar de outro assunto.

Tenho estado cada vez mais satisfeito com minha vida profissional. Tenho certeza de que estou no caminho certo. Gosto do que faço, mesmo sabendo que não é das mais bem pagas profissões existentes (embora eu teime em acreditar que bons profissionais sempre terão um salário digno – ah, a inocência!).

No entanto, tenho pensado muito em algumas coisas da vida. Por um lado, tenho noção da importância em investir o dinheiro, trabalhar bastante e saber poupar e fazer o dinheiro render. Mas também tento manter uma visão diferente da que a maioria tem. Não tenho a intenção de comprar um casa grande e ter um carro de luxo na garagem… minha visão de felicidade é muito mais europeia que americana, voltada às pequenas coisas da vida, pequenas conquistas e vida cultural mais intensa.

Tenho vontade de viajar o mundo, e por mais que goste do que faço, penso que talvez eu seja feliz trabalhando em um café londrino, ajudando jovens carentes em Hong Kong ou trabalhando como repórter em uma emissora de outro país.

Só não quero terminar a vida sabendo que trabalhei como um louco e vivi uma vida vazia.

Enquanto isso, vou vivendo e refletindo…

#reflexõesdamadrugada

Tragédia em Santa Maria, jornalismo e informação

santamariaNo momento em que escrevo este post, jornalistas trabalham para cobrir a informar sobre a tragédia que aconteceu na casa noturna da cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Diversos elementos da cobertura e da maneira como as pessoas se informam vieram à tona.

1- O jornalismo se preocupa em dar números. 232 mortos. 131 feridos. Infelizmente, poucos pensam além dos números. É impossível mensurar a dor de uma mãe que perde seu filho, a dor de um irmão ou amigo que perde alguém que vai fazer falta. Não são 232 pessoas mortas. São 232 famílias quebradas, 232 futuros interrompidos. E isso é difícil de medir, e até mesmo de mostrar no fazer jornalístico sem se tornar sensacionalista.

2- As pessoas estão ávidas por informação. Isso pode ser bom, mas faz com que muitos caiam na armadilha de acreditar nas primeiras palavras que surgem sobre o assunto. Os seguranças barraram a passagem das pessoas? Havia menores de idade no local? São coisas que precisam ser apuradas, e as fofocas do twitter não ajudam. Acredite apenas nos portais de notícias, onde as informações são apuradas.

3- Pessoas insensíveis fazem comentários maldosos a respeito do acontecimento. Muita gente fica indignada, mas o fato é que a possibilidade de ser anônimo na internet apenas evidencia o que muita gente já faz: piada de mal gosto em horas impróprias e total desprezo pelas mortes. Acredito (ou prefiro acreditar) que a maioria faz esse tipo de piada porque se acostumou a ver o mundo por uma tela de TV ou computador – ela é fria, distante, e faz tudo ser como se estivesse acontecendo a quilômetros de distância.

Um pouco mais de humanidade a todos.

Breve retrospectiva de 2012

2012 written on sandNão sou de ficar lembrando o passado. Chorar o leite derramado não é comigo, e alguns fatos da minha vida eu nem consigo localizar certo no tempo (sabe quando você não sabe se aquele fato é de 2002, 2005 ou 1999?). Mas acho legal fazer uma pequena retrospectiva, até para facilitar na hora de fazer os planos para o ano que se inicia. Já que o tempo é fatiado em espaços de 365 dias, temos que aproveitar isso para organizar a mente, renovar as esperanças e sonhos, etc e tal.

2012 foi um ano muito melhor do que pensei que seria. Superou as expectativas, já que as coisas aconteceram muito mais rápido do que eu pensei.

Nunca imaginei que iria trabalhar com jornalismo já no meio do ano. Comecei o trabalho antes mesmo de começar a pós-graduação, que a propósito vem sendo absolutamente excelente.

2012 foi um ano excelente por isso. Comecei a trabalhar com algo que realmente gosto, o que me fez finalmente conseguir a resposta à pergunta: “o que você quer ser quando crescer?”. Comecei os estudos que estão me fazendo bem, não só porque me ensinam algo que me fascina, mas porque os colegas são ótimos, as discussões são enriquecedoras e eu me convenço cada vez mais de que estou apto a realizar um bom trabalho como jornalista.

Por tudo isso, 2012 foi um excelente ano. Para 2013, apenas planejo estudar espanhol, concluir a pós-graduação e ganhar mais dinheiro, ou seja, nada de mais. Mas não guardo grandes expectativas… é melhor assim, levar a vida conforme a vida vai.

jornalismo

Dia 21 foi dia de fechamento. Pouco estava pronto. Eu me comprometi a não sair da redação enquanto não estivesse nada completo. Não fui o único.

Meu horário de chegada foi às oito horas, uma hora mais cedo que o usual. Cheguei, sentei, comecei. E só fui sair de lá mais de oito e meia da noite.

Foi cansativo, mas não sem aprendizado. A satisfação de fechar uma revista e entregar sem atrasos é realmente uma excelente sensação.

Mas melhor que entregar algo sem atrasos é saber que estou no caminho certo. Finalmente, faço na minha vida uma coisa que eu poderia fazer pelo resto da vida.