Tá tudo muito intenso

Nos  últimos dias, fiquei espantado com a intensidade como as coisas acontecem. Com a orkutização do Facebook (é oficial, ele já é o líder das redes sociais no Brasil), fica ainda pior.

Tudo é levado à potência máxima. A mocinha do BBB vai dar explicações à polícia, o Bial vai ser substituído pelo Leifert (QUÊ?), o Nascimento falou coisas sobre isso no jornal do SBT (tem jornal lá? Ah, verdade), e enquanto isso o Teló invade as Europas…

todo mundo se revolta, faz passeata online, protesto na nuvem, coloca bâner ridículo no status (porque ninguém quer escrever, e sim colocar um quadrado preto com alguns dizeres clichês e memes desenhados para parecer cult).

Acalmem-se! Parem essa porra toda! Não priemos cânico! Dadinho é o caralho!

Não é o fim do mundo que critiquem reality show ou que assistam a eles ou que foi estupro ou que não foi ou que foi o que não foi ou que o jornalista criticou ou que o raio nos parta. Mas fazem tempestade em copo d’água. Tornam tudo muito intenso, como se fosse tudo definitivo, sem remédio, eterno. Justo quando vivemos o líquido, o efêmero, o passageiro.

Menos. Por favor.

Vai ocupar a cabeça com outras coisas.

Esse é o país da copa?

Anúncios

Bê-bê-bê, Telófilo e outros dizeres

“Hoje é dia de reality show, bebebê” (Cristitiane Torloloni).

É com tal citação falsa que começo a falar do reality show que não cansa de bombardear nossos inícios de ano. Já lançaram a lista de participantes, que já sofreu alterações porque dois participantes desistiram. Não acredito que tenham desistido: pra mim é tudo combinado para já causar rebuliço na imprensa desde cedo. Aliás, o segredo do sucesso do BBB é ter tudo combinado. O público não quer ver pessoas – ele quer ver personagens. E aos poucos vamos descobrindo os personagens que cada um vai viver. Quer dizer, VOCÊS vão descobrindo, já que eu não tenho intenção nenhuma de acompanhar o programa (embora eu me divirta com o “ex-tricô” comentando sobre isso).

—-

Por falar em reality show que não tem nada de realidade, tive o prazer (ou não) de assistir a trechos de “Mulheres Ricas”, da Band.

Não sejamos hipócritas em dizer que tudo tem que representar a realidade do povo brasileiro. Elas representam uma elite econômica totalmente minoritária. Gastam fábulas de dinheiro com futilidades e ainda aproveitam a imagem do vídeo para aparecer. Afinal, não basta ser rico, tem que ser famoso. O bolso cheio não é o bastante se o ego não estiver inflado.

—-

Ainda na onda dos realities, temos Amazônia, da Record. Vai ser mais um programa “de nicho” do que um reality. O público do início da madrugada que assiste o Álvaro Garnero e a Cris Arcângeli vai provavelmente ficar no mesmo horário. Resta saber que resultado o programa vai trazer à produtora Endemol, que inicia uma novidade em formato de reality e que pode usar o formato em outros países: se isso acontecer, a Record vai bradar aos quatro cantos, como já é do seu feitio.

(ATUALIZAÇÃO/ERRATA: o Reality não será nas madrugadas de sábado, mas sim nas madrugadas de domingo. Com estreia hoje: 8/Jan)

Não é “reality” mas é sucesso. Michel Teló tem que aprender inglês e espanhol pra poder ir pra Europa. Vai ter turnê. Um conjunto de sorte e boa divulgação com uma música grudenta que inicialmente era um funk. Com os “garotos propaganda” Neymar e Rafael Nadal, fica difícil de ser esquecida.

Fico irritado com as pessoas que se revoltam e criticam a música. Como se fosse a primeira música brasileira a virar “hit”. E também esqueceram da “Macarena”, que nasceu na Espanha e “bombou” no mundo todo na década de 90. E se dizem envergonhados porque uma música “tão ruim” representa o Brasil “lá fora”. Esquecem que a  Bossa Nova reina na Europa há anos, muito mais do que no póprio país de origem, ou que a Argentina gosta de Caetano Veloso muito mais do que os brasileiros parecem gostar.

Os brasileiros que se irritam com o sucesso do Teló esquecem que é o caráter do povo brasileiro, a sujeira nas ruas e as pequenas atitudes que realmente (não) dão a boa imagem do Brasil “lá fora”.

Lembra daquela vez que você se esbaldou na formatura do seu primo, depois de muito whisky com guaraná, e dançou Macarena, Whisky a GoGo e Festa (da Ivete)? Pois é… na próxima formatura o “ai se eu te pego” vai estar incluído no repertório.

Vou terminar como comecei: com uma citação falsa:

“Bíblia, Bíblia, assim você me salva. Ai,se eu te prego” (Michel Telófilo)