Boas “tacadas”

Recentemente, algumas emissoras fizeram boas tacadas.

Foi o caso da RedeTV! que, bem durante o “imbróglio” entre Rafinha Bastos e Band e Wanessa e aquela coisa toda, contratou o humorista e começou a planejar o Saturday Night Live, que estreia dia 27.

Agora, quem dá uma boa tacada é a Band. Pelo jeito, ela vai contratar o Tom Cavalcante para mais um programa de sua linha de shows. A emissora do Morumbi tem mais uma conquista para fortalecer sua programação e chegar mais perto do terceiro lugar.

Canais de TV não jogam beisebol mas sabem dar boas tacadas de vez em quando. (piada péssima)

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Com passos de formiga e sem vontade

Parece que é assim que a TV caminha. Lentamente.

Não sei se sempre foi assim. Apesar de tudo, não entendo muito sobre a história dessa caixinha que não é mais caixinha.

Por mais que alguns canais invistam em teledramaturgia ou novos programas, e por mais que melhores, parece que tudo fica sempre a mesma coisa: todo mundo com a mesma “cara”, os mesmos bons momentos, as mesmas dificuldades. Pra cada passo que se dá pra frente, parece que dão outro pra trás e, assim, ficam no mesmo lugar.

Por essas e outras, cansei um pouco disso tudo.

Claro que surgem algumas mudanças por aí. Boa safra atual de novelas, boas séries e minisséries (na Globo, Record, HBO…), Band crescendo, RedeTV caindo, SBT caindo/crescendo.

As coisas vão mudando, pero no mucho.

A paniquete careca

O mundo é uma enxurrada. De informações, sensações, ações.

Portanto, não me lembro onde nem quando. Mas li uma crítica recente à parceria das emissoras de TV com produtoras. A Globo já produziu Som e Fúria com a O2Filmes, e diversos outros projetos. Logo mais a Record vai estrear Fora de Controle, parceria com a Gullane Filmes.

Sinceramente, não entendo a crítica. Acho que a parceria de emissoras é mais do que saudável Traz gente nova pra TV, leva ares de novidade ao telespectador, e ainda estimula o mercado de produtoras. É uma forma mais justa de fazer TV. As emissoras dividem os gastos, mas também dividem os lucros… quem sabe um dia a gente se assemelha mais aos Estados Unidos, que produz muito mais em quantidade e qualidade.

Aí o Pânico raspa a cabeça da menina e todo mundo fica revoltado. Alguém perguntou pra ela se ela se arrependeu? E não dou dois meses para ela colocar um “megahair” em algum salão de beleza de (sub)celebridade.

Antes de ficarem revoltados porque rasparam a cabeça dela, deveriam ficar revoltados porque as “paniquetes” ganham 250 reais por programa. Até eu, que sou professor, ganho mais no mês (eu acho…mas é melhor nem calcular).

E antes que você me diga que elas podem posar nuas, manter a carreira de modelo ou fazer “outros tipos de programa” (é o que dizem) para ganhar mais, eu digo que uma coisa não justifica a outra. (ei, peraí, eu também posso fazer outras coisas pra ganhar dinh… não, melhor não).

Há de se criticar o desespero na busca por audiência. Mas também há de se criticar o falso moralismo de críticos que dão a fatos como este uma dimensão maior do que ele merece.

Mudanças na audiência

A Band tá crescendo. Aí o “Pânico na Band!” conquista primeiro lugar de audiência pro tio Saad em pleno domingo, aumentando a média da emissora.

Enquanto isso, a Globo mostra que vai fazer novela pra conquistar audiência mesmo. Nada de experimentar, tentar o novo. Tem jogador de futebol e lixão na novela das nove. Tem empregadas domésticas (TRÊS!) e cantor brega-romântico na (novíssima) novela das sete. E 0 bom e velho romance de caubói recheado com espíritos na novela das seis. Ou seja: audiência mais e mais.

O SBT continua “naquelas de sempre” e consegue alguns bons momentos vez ou outra, principalmente no período da tarde.

Ao mesmo tempo, a Record faz bem e mal a si mesma. Ao mesmo tempo. Inova com o texto do gênio Lauro César Muniz, e com uma novela que começa de um jeito totalmente diferente. Mas os erros de produção (edição de som precisa trocar a equipe toda) e a quantidade de loucos ricos espanta qualquer um.

Lauro disse, alfinetando a Globo, que “ninguém gosta de ver pobre”. Na verdade, nem querem ver ricos. As pessoas querem ver o “pobre rico”, aquele pobre de novela da Globo que está sempre limpo, cheiroso, com a casa mais arrumada que a do Monk.

Voltando ao assunto: talvez o ano de 2012 reserve algumas reviravoltas no quesito audiência. A coisa pode ficar interessante… ou não.

Enquanto isso…

Fiquei até tarde para assistir o Oscar inteiro. Foi legal, mesmo o Oscar sendo chato. Fiz a “cobertura” do evento pelo blog do Cinem(ação) (não conhece? é o @cinema_acao ). Mas sobre isso eu vou escrever na coluna que vai sair na Quinta-feira. Mas no artigo eu não vou falar sobre as pernas da Angelina.

Vamos falar do que importa. O que importa é o que interessa, e saúde é o que interessa. (yeah yeah).

– A RedeTV! parece repetir o feito da Manchete. Será maldição do sinal? Saiu o Pânico e agora eles entram em pânico.

-Enquanto isso, na Record, mudaram a logomarca. Está parecendo o símbolo do Google Chrome. A pergunta é uma só: POR QUÊ??

– Enquanto isso, na Globo, exibiram o Oscar de maneira igualmente vergonhosa. E resolveram colocar a música Luz do Sol na trilha sonora da novela Amor Eterno Amor (era da novela da Recó). Por falar nela, a novela é a primeira da Elizabeth Jhin sem espíritos.

– Enquanto isso, na Band, querem chegar perto do SBT com uma programação mais forte. Vai ter até o Marcelo Tas com programa infantil. E, claro, o Pânico a dividir pauta com o CQC.

Bê-bê-bê, Telófilo e outros dizeres

“Hoje é dia de reality show, bebebê” (Cristitiane Torloloni).

É com tal citação falsa que começo a falar do reality show que não cansa de bombardear nossos inícios de ano. Já lançaram a lista de participantes, que já sofreu alterações porque dois participantes desistiram. Não acredito que tenham desistido: pra mim é tudo combinado para já causar rebuliço na imprensa desde cedo. Aliás, o segredo do sucesso do BBB é ter tudo combinado. O público não quer ver pessoas – ele quer ver personagens. E aos poucos vamos descobrindo os personagens que cada um vai viver. Quer dizer, VOCÊS vão descobrindo, já que eu não tenho intenção nenhuma de acompanhar o programa (embora eu me divirta com o “ex-tricô” comentando sobre isso).

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Por falar em reality show que não tem nada de realidade, tive o prazer (ou não) de assistir a trechos de “Mulheres Ricas”, da Band.

Não sejamos hipócritas em dizer que tudo tem que representar a realidade do povo brasileiro. Elas representam uma elite econômica totalmente minoritária. Gastam fábulas de dinheiro com futilidades e ainda aproveitam a imagem do vídeo para aparecer. Afinal, não basta ser rico, tem que ser famoso. O bolso cheio não é o bastante se o ego não estiver inflado.

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Ainda na onda dos realities, temos Amazônia, da Record. Vai ser mais um programa “de nicho” do que um reality. O público do início da madrugada que assiste o Álvaro Garnero e a Cris Arcângeli vai provavelmente ficar no mesmo horário. Resta saber que resultado o programa vai trazer à produtora Endemol, que inicia uma novidade em formato de reality e que pode usar o formato em outros países: se isso acontecer, a Record vai bradar aos quatro cantos, como já é do seu feitio.

(ATUALIZAÇÃO/ERRATA: o Reality não será nas madrugadas de sábado, mas sim nas madrugadas de domingo. Com estreia hoje: 8/Jan)

Não é “reality” mas é sucesso. Michel Teló tem que aprender inglês e espanhol pra poder ir pra Europa. Vai ter turnê. Um conjunto de sorte e boa divulgação com uma música grudenta que inicialmente era um funk. Com os “garotos propaganda” Neymar e Rafael Nadal, fica difícil de ser esquecida.

Fico irritado com as pessoas que se revoltam e criticam a música. Como se fosse a primeira música brasileira a virar “hit”. E também esqueceram da “Macarena”, que nasceu na Espanha e “bombou” no mundo todo na década de 90. E se dizem envergonhados porque uma música “tão ruim” representa o Brasil “lá fora”. Esquecem que a  Bossa Nova reina na Europa há anos, muito mais do que no póprio país de origem, ou que a Argentina gosta de Caetano Veloso muito mais do que os brasileiros parecem gostar.

Os brasileiros que se irritam com o sucesso do Teló esquecem que é o caráter do povo brasileiro, a sujeira nas ruas e as pequenas atitudes que realmente (não) dão a boa imagem do Brasil “lá fora”.

Lembra daquela vez que você se esbaldou na formatura do seu primo, depois de muito whisky com guaraná, e dançou Macarena, Whisky a GoGo e Festa (da Ivete)? Pois é… na próxima formatura o “ai se eu te pego” vai estar incluído no repertório.

Vou terminar como comecei: com uma citação falsa:

“Bíblia, Bíblia, assim você me salva. Ai,se eu te prego” (Michel Telófilo)

Pontos

Alguns pontos a considerar:

 

Eis que as coisas na TV ficam cada vez mais diferentes. E cada vez mais iguais. O SBT está conseguindo ótimos índices pela tarde mas ainda perde pra Record no horário nobre. Foi copiado naquela história de colocar filmes especiais nos feriados, mas ainda tem um pouco a percorrer para voltar ao segundo lugar. Se a Record continuar economizando dinheiro, planejando mal suas produções, e exibindo The Love Story à tarde, a vida do tio Silvio vai ser mais fácil. Ninguém cresce tanto, nem cai tanto, nem nada. Vai ficando tudo a mesma coisa. Sai o Tom, entra o Justus, sai um entra outro e a gente vai ficando com preguiça. Zzzzzzz.

 

Um pequeno adendo: – “The Love Story”? Que P#$%A é essa?

 

A TV por assinatura vai mudar. A nova lei, que prevê a criação e exibição de conteúdo nacional na TV paga deve aumentar bastante o número de produções nacionais. Se serão produções de qualidade, aí é outra história. Já está provado que o povo brasileiro prefere coisas brasileiras ou, pelo menos, dubladas. Preferir programas nacionais, Ó-quêi. Mas preferir dublagem não é significado de valorização da língua de Camões, e sim falta de capacidade de ler legendas.

Já escrevi sobre esse tema duas vezes no Cinem(ação): AQUI e principalmente AQUI. A quem quiser ler mais argumentos a respeito do assunto, seguiro que leiam este texto do Pablo Villaça.

 

E a Denise Del Vecchio que é transexual? Achei sensacional. Palmas pra Cristianne Fridman que está finalmente alcançando o que conseguiu com Chamas da Vida. É uma pena que ela vai sair da Record depois dessa novela. Pelo que dizem.

 

Maurício Meirelles sempre mereceu mais do que tinha no Legendários. E agora vai pro CQC. Merecido. Espero que o programa se renove um pouco em 2012, com trocas importantes de repórteres.