Que programa eu coloco nesse horário?

Que programa vamos colocar?

Não sei. Às vezes eu tenho a impressão de que os executivos das emissoras (de uma em específico) fazem uni-duni-tê para escolher os programas e seus horários.

Isso tem se evidenciado ainda mais na Record. Ressuscitaram o SP Record na faixa da tarde por 2 dias, e agora fazem o mesmo com o Cidade Alerta (ou não). Recrutaram o Rodrigo Faro para um programa vespertino e agora dizem que a produção esfriou.

A perda da vice-liderança está deixando todo mundo meio louco na Barra Funda. Virou uma barafunda (com um “R” só) – aliás, nome muito propício para o bairro da sede desta emissora.

A TV do Macedão teria tudo para recuperar a vice-liderança em médio prazo. Em alguns meses, a novela Carrossel deve perder um pouco da força, ou pelo menos chegar ao seu fim (cedo ou tarde, todas chegam). Mas com as atitudes impensadas e com o desespero pelos “numerinhos” do Ibope, eles metem os pés pelas mãos e exibem novelas pra lá da meia noite, cortando “Vidas Opostas”, e outras bizarrices.

Enquanto isso, o sucesso de Carrossel puxa a audiência para diversos outros programas no SBT. Mas na verdade o SBT está colhando os frutos de uma programação bem estruturada (ao menos mais estruturada que antes), e das boas decisões tomadas pelas filhas de Silvio Santos.

No fim das contas, continua aquela mesma ladainha de sempre, sem grandes novidades. A TV brasileira, como um todo, muda sem sair do lugar.

A paniquete careca

O mundo é uma enxurrada. De informações, sensações, ações.

Portanto, não me lembro onde nem quando. Mas li uma crítica recente à parceria das emissoras de TV com produtoras. A Globo já produziu Som e Fúria com a O2Filmes, e diversos outros projetos. Logo mais a Record vai estrear Fora de Controle, parceria com a Gullane Filmes.

Sinceramente, não entendo a crítica. Acho que a parceria de emissoras é mais do que saudável Traz gente nova pra TV, leva ares de novidade ao telespectador, e ainda estimula o mercado de produtoras. É uma forma mais justa de fazer TV. As emissoras dividem os gastos, mas também dividem os lucros… quem sabe um dia a gente se assemelha mais aos Estados Unidos, que produz muito mais em quantidade e qualidade.

Aí o Pânico raspa a cabeça da menina e todo mundo fica revoltado. Alguém perguntou pra ela se ela se arrependeu? E não dou dois meses para ela colocar um “megahair” em algum salão de beleza de (sub)celebridade.

Antes de ficarem revoltados porque rasparam a cabeça dela, deveriam ficar revoltados porque as “paniquetes” ganham 250 reais por programa. Até eu, que sou professor, ganho mais no mês (eu acho…mas é melhor nem calcular).

E antes que você me diga que elas podem posar nuas, manter a carreira de modelo ou fazer “outros tipos de programa” (é o que dizem) para ganhar mais, eu digo que uma coisa não justifica a outra. (ei, peraí, eu também posso fazer outras coisas pra ganhar dinh… não, melhor não).

Há de se criticar o desespero na busca por audiência. Mas também há de se criticar o falso moralismo de críticos que dão a fatos como este uma dimensão maior do que ele merece.

Mudanças na audiência

A Band tá crescendo. Aí o “Pânico na Band!” conquista primeiro lugar de audiência pro tio Saad em pleno domingo, aumentando a média da emissora.

Enquanto isso, a Globo mostra que vai fazer novela pra conquistar audiência mesmo. Nada de experimentar, tentar o novo. Tem jogador de futebol e lixão na novela das nove. Tem empregadas domésticas (TRÊS!) e cantor brega-romântico na (novíssima) novela das sete. E 0 bom e velho romance de caubói recheado com espíritos na novela das seis. Ou seja: audiência mais e mais.

O SBT continua “naquelas de sempre” e consegue alguns bons momentos vez ou outra, principalmente no período da tarde.

Ao mesmo tempo, a Record faz bem e mal a si mesma. Ao mesmo tempo. Inova com o texto do gênio Lauro César Muniz, e com uma novela que começa de um jeito totalmente diferente. Mas os erros de produção (edição de som precisa trocar a equipe toda) e a quantidade de loucos ricos espanta qualquer um.

Lauro disse, alfinetando a Globo, que “ninguém gosta de ver pobre”. Na verdade, nem querem ver ricos. As pessoas querem ver o “pobre rico”, aquele pobre de novela da Globo que está sempre limpo, cheiroso, com a casa mais arrumada que a do Monk.

Voltando ao assunto: talvez o ano de 2012 reserve algumas reviravoltas no quesito audiência. A coisa pode ficar interessante… ou não.

Metonímia

Sempre utilizamos a metonímia.

Aos que não sabem, metonímia é o uso de uma palavra para se referir a outra. Utilizamos metonímias sem nem perceber. Na escola ou na faculdade, quantas vezes não dizemos “Vou estudar o Carlão o dia inteiro”… e na verdade você vai estudar o grupo de assuntos passados pelo professor Carlão.

“Beber Danone” é uma expressão muito comum, mesmo que a Nestlé seja a marca mais vendida. Tomar uma Coca-cola sempre vai ser bom, mesmo quando for Pepsi. E se a panela está suja, esfregue com Bombril, mesmo que ele seja, na verdade, Assolan.

Passar o fim de semana “na sua tia” (na casa da sua tia), beber um Champagne (mesmo que não seja produzido na específica região da França) e ler Cecília Meireles (algum livro dela), são outras metonímias comuns.

E o Ibope é uma das metonímias mais usadas nos dias de hoje. Se ninguém gosta do chefe, dizemos que o Ibope dele está baixo. Se os salgadinhos da dona Terezinha estão mais gostosos, dizemos que estão com o Ibope em alta. Quando dizemos que “o Ibope da Globo é alto”, na verdade a audiência é que permanece alta.

E agora chega ao Brasil um novo instituto de medição de audiência das emissoras de TV: a Nielsen. Com a promessa de atuar em maior escala de amostragem e em mais regiões do que o concorrente Ibope, a “nova” empresa (bastante velha nos Estados Unidos) parece ter condições de servir bem ao mercado publicitário e às emissoras. A Globo, no entanto, não se mostrou muito animada (por que será?).

O preço de R$54 milhões ao ano para a operação da Nielsen vai ser pago por emissoras interessadas. Talvez a empresa americana chegue para ficar e concorrer com o Ibope em medição de audiência.

Difícil vai ser ganhar nas metonímias.