Sou a favor da produção

penacova_josedoegitoNovelas, seriados, minisséries… quando se produz bastante teledramaturgia (e cinema, por favor), o Brasil passa a exercer mais influência cultural sobre si mesmo, fazendo com que produções internacionais sejam postas de lado.

Não que as pessoas não possam assistir CSI ou The Walking Dead, mas há de se dar mais valor ao produto brasileiro. E o Brasil produz coisa muito boa, em diversas áreas. Infelizmente, a maior parte da produção e principalmente da audiência está nas mãos de uma única empresa.

Quando uma emissora, qualquer que seja, se propõe a fazer uma novela ou minissérie, por mais simples ou pobre que seja, sua atitude deve ser valorizada. Quando uma emissora investe dinheiro em câmeras para fazer belas imagens, sua intenção em fazer algo bem feito deve ser valorizada.

Quando emissoras de TV por assinatura seguem a (ótima) lei que prevê produção nacional nos canais, elas valorizam um mercado importante, dão emprego e, principalmente, voz a diversos artistas ávidos para colocar em prática o que aprenderam, desejosos de aplicar seus conhecimentos, e cheios de emoções a serem transmitida.

É isso que eu valorizo: a produção nacional, a teledramaturgia. Independente de como e com quais dificuldades ou defeitos. Mas se for bem feita, bonita e que acrescente, é claro que fica muito melhor.

Público infantil é sazonal? Ou: porque o SBT não deveria fazer Chiquititas

O sucesso de Carrossel foi tão grande que o SBT ficou inebriado. Já está preparando uma nova versão de Chiquititas para substituir a trupe da professora Helena.

Mas recentemente a audiência da novela tem mostrado que o público infantil se cansa desse tipo de produto. Não que a audiência de Carrossel esteja ruim, muito pelo contrário. Vai bem, apesar de algumas quedas denunciarem um certo cansaço.

Nem Freud consegue explicar ou entender o público infantil. Ao mesmo tempo  que ele é carente de boas produções na TV – recentemente, a Record, que não vai bem das pernas, conseguiu primeiro lugar de audiência com Pica-Pau, provando isso – as crianças parecem viver de temporadas. Assistem a uma novela por um tempo e depois se cansam. Se não terminarem Carrossel logo, a coisa pode piorar. E eu não coloco muita fé em Chiquititas… pelo menos não para bombar em audiência, já que pode chegar para um público cansado.

É difícil conquistar as crianças, e quando se as conquista, o público fiel garante bons resultados. Mas é preciso ter cuidado. A própria Record cancelou Rebelde por audiência baixa.

Será que as crianças não preferem uma série de TV, com temporadas mais espaçadas?

Fica a pergunta.

A TV e as coisas

Eu poderia voltar a falar de televisão, como fazia antes. Infelizmente, tenho tido pouco tempo para acompanhar os acontecimentos do meio. Acabou ficando em segundo plano.

Em primeiro plano está o trabalho – e os planos de algumas pequenas mudanças em breve. Também escrevo sobre cinema: é o segundo plano, quase tão primeiro quanto o primeiro.

Mas acompanhei a saída de uma máscara para a entrada de um fuzuê que causou balacobaco. Assisti à voz do Brasil… não a do rádio, clássica, mas o reality show com título em inglês. Mas confesso que um bom filme tem me agradado mais.

Tudo parece estar na mesma mesmice. Audiência cai, audiência aumenta, e nada muda. Público vai, público vem, e nada se cria de realmente novo.

Continuo admirando esse mundo das telas. Grandes ou pequenas, são a magia necessária para a realidade.

Enquanto isso…

Enquanto a gente vai estudando, trabalhando e ficando fora de casa mais que o necessário, as coisas vão acontecendo.

Os ministros do Supremo estão votando. Tudo promete que não vai acabar em pizza, embora seja cedo para dizer.

As Paralimpíadas estão tendo mais destaque na Globo que as Olimpíadas. Talvez isso seja bom. Talvez não seja bom nem ruim. Mas é estranho.

-Aí a Record resolveu criar a tal “Fazenda de Verão” e botar o Rodrigo Faro… afinal, o Brittão vai apresentar um programa diário nas tardes, sendo que antes seria o próprio Faro, que no fim das contas ficou a ver navios e saiu do Ídolos pra deixar pro Mion… capisce?

-E aí a Ana Hickman chamou a mulher do dono da RedeTV! pra apresentar o programa dela. Eu queria que isso acontecesse só pra escutar as piadas dos humoristas de stand-up a respeito disso. Se bem que se a RedeTV! tiver mais um sócio, vai diluir a piada.

-Apesar de a emissora barrafundense ter recuperado a vice liderança, Carrossel continua firme e forte.

-E a Caarminha segue reinando. Oi oi oi.

Assim caminha a humanidade…

Lembro quando tocava essa música na televisão todas as tardes. Era mais ou menos o horário em que eu assistia Malhação. O que mais me marcou foi a música do Lulu Santos e uns momentos “videoclipe” da novela em que eles mostravam alguma mulher fazendo exercícios… de vez em quando mostravam homens também, e hoje eu associaria a cena com umas que são exibidas no Multishow (ou eram… faz tempo que eu não vejo).

Não venha me dizer que eu sou “safadinho”. Todo mundo é. (risos)

Depois disso, lembro de ter assistido às primeiras temporadas da novela logo que “abriram” o Múltipla Escolha. Lembro da Priscila Fantin, da Samara Felippo, do Cabeção…

Agora, após algumas escolhas erradas, a Globo resolveu modificar a Malhação para se ajustar aos jovens da atualidade. Aliás, buscar uma maneira de conquistar os adolescentes tem se tornado cada vez mais desafiador… talvez a melhor maneira de atingi-los é ir pra internet.

O fato é que cada vez mais se torna difícil entender o que pensam os jovens. Talvez porque eles não estejam pensando muito, apenas “indo com o fluxo” das correntes sócio-midiáticas. Afinal, os jovens de atualmente podem ter evoluído das gerações anteriores, mas muito pouco. Como diria Lulu Santos: “com passos de formiga e sem vontade”.

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Só pra comentar um pouco algumas coisas da TV:

-A base da boa audiência das grandes emissoras continua sendo, e será por muito tempo, a teledramaturgia. Máscaras e Carrossel estão aí para provar isso: uma do lado negativo, outra do lado positivo.

-Fez bem a Record em colocar Ana Hickman e Britto Junior em um programa vespertino. Mas se for pra ser qualquer coisa muito diferente do antigo (e ótimo) Tudo a Ver, vai ser uma pena.

-Falando em Record: com certeza o alto escalão da emissora ficou super feliz com a seleção brasileira ter chegado na final das Olimpíadas, mesmo sem ganhar. Mais que feliz que isso, só agora que o Russomano cresceu nas pesquisas para a prefeitura de São Paulo.

– Dia 21 de Agosto começa o horário eleitoral gratuito. Medo.

Quero aproveitar para fazer propaganda do Podcast do Cinem(ação). Para ouvir (já temos quatro, caminhando para o número cinco), basta clicar aqui.

O problema é a inércia

Lembro como se fosse hoje quando a Record anunciou que havia adquirido os direitos de exibição das Olimpíadas de Londres. Na época, a Globo estava focada na cobertura do mesmo evento em Pequim.

Não tenho nada contra nenhuma das emissoras. Mas sempre fui contra a diferença abissal entre a audiência e influência da Globo e as das outras emissoras. Não acredito que isso seja saudável.

Logo que começaram as Olimpíadas, comentei a respeito dos jogos e ouvi a seguinte afirmação: “esse ano as Olimpíadas estão meio apagadas, ninguém fala dela”. Fingi que não entendi muito bem a afirmação.

No dia seguinte, fui almoçar em um restaurante e a TV estava na Globo, enquanto eu acabara de saber que o Brasil estava com chances de medalha no judô. Pedi para a garçonete colocar “nas olimpíadas” (qualquer um dos canais possíveis), e ela perguntou: “em que canal está passando?”.

Poucos dias depois, li um comentário no twitter que criticava a “inércia” das pessoas de assistir à Globo: de acordo com a ‘tuiteira’, ninguém na sala de espera da clínica fazia questão de mudar para a Record para ver as Olimpíadas, e fizeram cara de “espanto” quando ela reclamou.

Utilizou a palavra correta: inércia.

Não acredito que haja uma emissora “melhor” que a Globo. Realmente, a vênus platinada merece todos os créditos e toda a audiência por seu jornalismo correto, sua teledramaturgia quase impecável, entre outros. Mas acho um absurdo viver em um país que depende de um único grupo de comunicação para definir  o que é “sucesso” e o que é “fracasso”.

Li pela internet que a média de audiência das Olimpíadas de Londres é metade da que foi alcançada nos últimos jogos. Porque não é na Globo. Será que a transmissão na Record é tão ruim que as pessoas prefiram assistir outra coisa? Duvido.

Sim, eu sei que “TV é hábito”. Sempre foi. Mas no Brasil, TV é hábito até demais. E sem discutir qualidade nem origem de dinheiro nem merecimento (que geram mais polêmica que mamilos), o fato é que essa inércia faz muito mal.

No fim das contas, a Globo tem mais dinheiro e qualidade porque tem mais audiência, e tem mais audiência porque tem mais dinheiro e qualidade.

É o ciclo da “bolachinha”: está sempre fresquinho porque vende mais ou vende mais porque está sempre fresquinho?