Bombardeio de informações, vontade de mais

cabeça_cacholaNossa cachola é realmente esquisita. Cabe muita coisa nela e as coisas vão sendo guardadas em gavetas, cantinhos, lugares inóspitos para serem resgatadas, escolhidas aleatoriamente ou apenas deixadas de lado para todo o sempre.

É curioso (curyoso!) que hoje somos bombardeados por informações e muitas vezes parece que tudo simplesmente vai explodir… mas basta um domingo mais tranquilo para tudo entrar no lugar.

Dizem que, durante a idade média, a quantidade de informação que um homem comum (leia-se camponês) tinha durante sua vida era menor do que o encontrado hoje em apenas uma edição do The New York Times. Poderíamos usar a Folha, o Estadão ou O Globo como exemplo tupiniquim… deve dar no mesmo.

O fato é que somos bombardeados por informações de todo tipo. Com as redes sociais, então, as metralhadoras se tornaram ainda mais potentes. Queremos compartilhar tudo o que vemos e sentimos, queremos que as pessoas “curtam” nossos status, desejamos ser vistos e admirados pelo que fazemos… ou alguém posta nas redes sociais as suas falhas, seus medos, seus pensamentos mais tenebrosos?

Mesmo assim, desejamos mais. A vida ultra-moderna, aquela que é líquida segundo o tio Bauman, nos faz buscar sempre mais. Nas horas de folga, precisamos “ler o livro que ficou de lado” ou “buscar aquelas informações extras que o professor indicou”, talvez “limpar a casa e desentupir a pia”.

Queremos mais, muito mais. Queremos encher a nossa cachola de informações que – pensamos – nos serão úteis. Até um dia, quem sabe, nossos cérebros inflarem de tanta informação, já que não sabemos do que ele é capaz. Já se foi o tempo da Idade Média, agora o tempo é dinheiro.

O tal do diploma

cafejornalJá faz uns dois meses que eu tenho uma resposta na ponta da língua para a pergunta “qual a sua profissão?”. Jornalista, respondo sem hesitar. Não tenho diploma de graduação em jornalismo e ainda não terminei a pós-graduação. Mas já sou jornalista, sem dúvida. Sempre gostei de escrever, gosto de relatar aquilo que vi(vi), e cada vez mais me surpreendo com a beleza de descobrir novos mundos, ler o que nunca li, falar sobre temas que até ontem eram raros no meu repertório.

Entendo que muitos graduados em jornalismo são contra a não-obrigatoriedade do diploma, e confesso que nem sei o que a lei está exigindo no momento. Quando estudava Letras, eu era contra a existência de qualquer pessoa dando aulas que não tivesse algum curso de licenciatura. Acho natural, afinal temos sempre a tendência ao protecionismo.

Mas o questionamento que faço hoje não é somente em relação ao diploma de jornalismo, mas de qualquer curso e área. Vivemos um momento em que o conhecimento é tridimensional em vez de unilateral. A maioria das profissões não exige conhecimento aprofundado em uma área, mas uma visão muito mais abrangente de diversas áreas. Aliás, tenho visto cada vez mais pessoas formadas em cursos não relacionados à profissão que escolheram seguir: chefes de departamento formados em engenharia, psicólogos formados atuando como vendedores, médicos que abriram um bar. Mais ainda, é comum ver pessoas que alternam suas profissões e empregos: eletricista por 10 anos e professor de inglês nos 10 anos seguintes, por exemplo.

É por isso que um professor bom pode ser, quem sabe, um ex-porteiro de prédio, e jornalista bom pode ser um ex-advogado. A formação em engenharia pode ajudar um funcionário a desenvolver boas estratégias de marketing para a empresa. Fiquei feliz quando vi que a editora de treinamento da Folha de São Paulo disse que “o que se vê, em geral, é que estudantes que concluíram outras graduações, como história ou direito, têm uma formação teórica melhor”. E não me espanto.

Não acho, com isso, que ninguém mais deve fazer faculdade de jornalismo. Se tivesse tempo ou uma graduação muito diferente (tipo Farmácia), eu certamente faria. Mas acredito ser importante que uma redação de qualquer veículo tenha pessoas com diferentes “backgrounds”. Também não desejo corroborar com a falta de estudos: os diplomas de graduação são importantes e é bom que todos façam um curso superior quando tiverem a oportunidade.

Mesmo assim, devemos entender que há algumas profissões que exigem graduações específicas, principalmente nas áreas médicas. Para advogar, creio ser importante alguém devidamente cadastrado na OAB. Não deixaria construir minha casa um arquiteto que não tenha um número do CREA. E jamais aceitaria um médico que não cursou medicina e nem tem um CRM.

Para escrever, apurar fatos, atuar com ética e contribuir por uma sociedade mais justa, é necessário entendimento de texto, muita leitura, força de vontade e pensamento crítico. Isso não se aprende em faculdade.

A vida

jornalismo_clarkkentEis que eu volto a este blog exatamente um mês após o post anterior. Acredito que um dos motivos é a falta de TV, já que eu estava escrevendo muito sobre o tema mas tenho acompanhado. Desta vez, venho falar de outro assunto.

Tenho estado cada vez mais satisfeito com minha vida profissional. Tenho certeza de que estou no caminho certo. Gosto do que faço, mesmo sabendo que não é das mais bem pagas profissões existentes (embora eu teime em acreditar que bons profissionais sempre terão um salário digno – ah, a inocência!).

No entanto, tenho pensado muito em algumas coisas da vida. Por um lado, tenho noção da importância em investir o dinheiro, trabalhar bastante e saber poupar e fazer o dinheiro render. Mas também tento manter uma visão diferente da que a maioria tem. Não tenho a intenção de comprar um casa grande e ter um carro de luxo na garagem… minha visão de felicidade é muito mais europeia que americana, voltada às pequenas coisas da vida, pequenas conquistas e vida cultural mais intensa.

Tenho vontade de viajar o mundo, e por mais que goste do que faço, penso que talvez eu seja feliz trabalhando em um café londrino, ajudando jovens carentes em Hong Kong ou trabalhando como repórter em uma emissora de outro país.

Só não quero terminar a vida sabendo que trabalhei como um louco e vivi uma vida vazia.

Enquanto isso, vou vivendo e refletindo…

#reflexõesdamadrugada

Facebook: álbuns restritos

facebook-privacidadeColoquei no Facebook as fotos da festa que fiz em casa. Na hora de selecionar o nível de privacidade, bloqueei o álbum e ele só será visualizado por quem esteve presente.

Ultimamente, tenho sido cauteloso com o que é publicado nas redes sociais. Não sou destes chatos que acham que o mundo  é horrível só porque nossas vidas estão mais à vista dos outros. Mas também não precisa avacalhar. Se eu publico fotos de festas (ou qualquer outro tipo de evento na minha vida), não quero que pessoas indesejáveis fiquem sabendo de detalhes do que eu fiz. Minha vida não interessa a elas.

No meu caso, também preciso ter um outro cuidado: minha vida profissional não é desvinculada da vida pessoal (hoje em dia, poucos tem esse privilégio, aliás). Não é de bom tom ser visto por contatos importantes com bebidas na mão ou poses esquisitas (veja bem, eu não faço isso, é apenas uma suposição! – risos).

Acho que é importante ter um pouco de limite e evitar a exposição. É claro que os dias de hoje exigem que nossas vidas sejam “um livro aberto”. Quem lê este blog e me acompanha no twitter deve saber muito da minha vida. O gerente do banco deve ter acesso a muitas informações confidenciais a respeito de mim. Mas é de bom tom não facilitar tanto assim.

Viva como se fosse viver eternamente

vidaeternaNão… este post não é sobre os planos para 2013, e nem um balanço de 2012. Ainda não farei isso, mas tentarei fazer depois.

Alguns dizem que o mundo vai acabar. No fundo, quase ninguém acredita realmente nessas coisas. Mas eu, particularmente, acredito que estamos vivendo um período de mudanças. Talvez seja a tal era de aquário, talvez seja o novo milênio. Talvez seja a transformação da Terra em um mundo de regeneração em vez de um mundo de provas e expiações… mas isso é oriundo da religião. E o processo é lento.

Mas, particularmente, tenho me divertido com o fim do mundo.

Mas vamos divagar, hipoteticamente falando, se o mundo acabasse dia 21 (amanhã), eu procuraria viver da mesma maneira. Nada de arroubos ou ímpetos de achar que tudo deve ser feito antes de acabar o mundo, a vida na terra ou a própria vida. Sou da teoria de que não devemos “viver como se fosse o último dia de vida”. Prefiro aquele conselho que diz: viva como se fosse viver eternamente.

Porque quem vive como se fosse morrer amanhã pode até aproveitar a vida, mas não planta novas sementes. A graça da vida está em plantar sementes para colhê-las depois… em alguns casos, muito tempo depois. Se fôssemos viver como se a morte estivesse à espreita, não faríamos faculdade, não investiríamos dinheiro naquela casinha (modesta), e não nos apaixonaríamos – afinal, o amor leva tempo e a vida imediatista só pede o sexo sem comprometimento emocional.

Eu espero poder viver como se fosse eterno. Chegar aos 80 anos e começar uma nova faculdade, fazer um fundo de investimentos e planejar uma viagem pela Europa, ou pela Malásia, ou China, sei lá. Como diria Raul Seixas: “eu que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar”.

Não é à toa que a gente nunca sabe quando vai morrer. Imagina se tivéssemos um relógio no corpo fazendo contagem regressiva, que ruim que seria.

Compartilhados no “fêice”

Vivemos a era do Facebook. Talvez Bauman já previu isso. Facebook é líquido, tal qual a modernidade que nos atinge. Tudo é agora, pra já. Com um clique, ou um toque no tablet, compartilhamos e curtimos o que aparecer. Não precisa memorizar, refletir, resguardar, inferir… basta clicar.

Para comentar, talvez sejam necessários alguns toques a mais do que um simples clique. No fundo, é a mesma coisa.

Resolvi retornar às imagens mais recentes que compartilhei no Facebook. Não lembrava de muitas delas. Foi apenas um clique, uma passada de olho. Um sorriso, e pronto. Passou, vamos para a próxima. É tudo imagem… e com letra grande.

adoro esse tipo de trocadilho… quando ele é metido a culto, fica melhor ainda

Essa foi ideia minha. Quem é jornalista ou diagramador e precisa se preocupar com “imagem de banco”, é divertido. Mas é um tipo de piada besta que sai da minha cabeça (ainda bem que não sou humorista)

 

Chove muito em Itu. E não precisa de apresentador de Reality Show pra dizer isso. Outro dia desses, choveu tanto que fizeram essa imagem. Coisa do Flash Fanzine Itu. Achei legal. É a regionalização do meme, ou a memetização do regionalizado.

 

Piada-trocadilho do tipo que me faz rir. Sou um tolo, eu o sei. Mas rio. Sou um tolo feliz.

Pequenos posts, grandes tuitadas

1- Nada como uma excelente aula. Com boa discussão, cérebro fervilhando. A aula termina mais tarde e nem percebemos. E quando saio desse tipo de aula, tenho a certeza de que estou no caminho certo.

2- Só sei que nada sei. E quanto mais estudo, mais tenho a convicção de que pouco sei. Será que isso só acontece na área de humanas? Talvez quem estude nas áreas de exatas ou biológicas talvez sinta que está chegando a algum lugar. Mas nunca passei por essa experiência.

3- Nada como um feriadão em uma chácara, entre festas de formatura, para desligar dos problemas mundanos. Depois, voltamos à realidade. Se não renovados, ao menos mais felizes.

4- Chove muito em Itu? Chove mesmice. Ou não. Conforme tuitaram por aí: Carelli fez curso com produtores do BB-UK. Certo ou errado?

5- As pessoas não sabem quem escreveu Hamlet. Ah, querida involução.

6- Não sei o que é pior: escolher entre Serra e Haddad ou entre Obama e Romney. Felizmente, não precisei fazer nenhuma dessas escolhas. Oh yes.