A reciclagem do velho na internet…

facebookJá devo ter falado sobre isso. Acho impressionante como as pessoas reciclam o que é velho pela web. No Facebook, então, é pior ainda. Compartilhamentos de pessoas desaparecidas (agora os cães são ainda mais presentes), além de textos e depoimentos “antigos”, como o texto do Romário sobre a Copa do Mundo, são sempre relembrados pelos compartilhadores de plantão.

Nos e-mails, surgem vídeos, textos e apresentações de power point que devem ter sido feitos em 1999.

Recentemente, uma pessoa compartilhou a história de que uma mulher não quis se sentar ao lado de um negro em um voo da TAM. Esta farsa é mais velha que a própria internet, e circula por aí há tempos. Mas como a internet é um navio de novos e velhos marinheiros de memória curta, as pessoas acreditam quando alguém coloca “história verídica”.

É por essas e outras que eu tenho pedido para o Facebook ocultar atualizações de muitos dos meus “amigos”.

Marco Feliciano, Daniela Mercury e as coisas que não importam

É impressão minha ou as pessoas estão dando muito valor a coisas desimportantes? Porque, pra mim, isso tudo é pouco importante.

Explico:

Existe algum tipo de incômodo nas pessoas quando se trata da sexualidade dos outros. Acho que é falta de conhecimento, medo deste desconhecido (ainda vou fazer uma tese sobre o medo do desconhecido que as pessoas tem: do escuro, da morte, etc), e excesso de valorização do que dizem algumas instituições religiosas.

Acho que ainda não comentei sobre o Marco Feliciano. Não vou perder muito tempo a respeito desta pessoa, mas acredito que Marco Feliciano representa muita gente neste país. Talvez não represente as minorias de sua comissão, mas o fato é que existe uma quantidade enorme de pessoas no Brasil que pensa como ele, age como ele e repete o mesmo discurso dele. O debate que a presença dele causa na sociedade é bastante útil – sim, é preciso debater tudo isso por muito tempo – mas isso não o isenta de ter feito muita estupidez.

Certa vez, ele disse que tem ascendência africana e usou seu cabelo como “exemplo” dos traços (algo como: “olha o meu cabelo”), em uma atitude no mínimo nojenta e com um racismo arraigado e implícito tão grande quanto o de qualquer outra pessoa que fez isso na vida. Ele também, assim como a maioria dos deputados, se esquece de um preceito básico de nossa Constituição: o estado é LAICO.

Não entendo as pessoas que se utilizam de preceitos religiosos para formular leis. E há algo de muito errado em uma sociedade que ainda acredita que a “família tradicional papai-mamãe-filhinhos” é a melhor coisa para o país, quando há milhares de mulheres sendo espancadas por seus maridos todos os dias, crianças sendo abandonadas e jovens de famílias ricas e tradicionais (leia-se: papai-mamãe-filhinho ricos) cometendo atrocidades por aí (como beber, dirigir, atropelar, etc).

Então, chegamos na Daniela Mercury – na verdade, não chegamos, mas eu pulei para esta parte. A cantora assumiu um relacionamento homo afetivo recentemente. Fiquei sabendo disso hoje, e só então entendi a piadinha do Rafinha Bastos com o hotel. Aí eu me pergunto: POR QUE raios as pessoas se incomodam tanto com isso? O que um relacionamento pessoal da cantora vai mudar na sua vida?

As pessoas estão dando pouca importância ou que não é importante. Pra mim, a notícia de que Daniela Mercury namora uma mulher é tão importante quanto a notícia sobre a “dieta da atriz Carla Daniel” (acabei de ver isso no Ego, só para encontrar um exemplo). É meio esquisito que as pessoas se incomodam mais com a Daniela Mercury (que nem estava tão presente “na mídia”, embora seja uma das maiores cantoras do país) do que com a iminente guerra entre as Coreias (do sul e do norte), por exemplo. Se houver guerra, isso vai mudar nossas vidas.

Este texto não tem fim. Termino com a preguiça de dissertar mais sobre isso. Vou me preocupar com coisas mais importantes. Nem sei se eu expliquei.

Bombardeio de informações, vontade de mais

cabeça_cacholaNossa cachola é realmente esquisita. Cabe muita coisa nela e as coisas vão sendo guardadas em gavetas, cantinhos, lugares inóspitos para serem resgatadas, escolhidas aleatoriamente ou apenas deixadas de lado para todo o sempre.

É curioso (curyoso!) que hoje somos bombardeados por informações e muitas vezes parece que tudo simplesmente vai explodir… mas basta um domingo mais tranquilo para tudo entrar no lugar.

Dizem que, durante a idade média, a quantidade de informação que um homem comum (leia-se camponês) tinha durante sua vida era menor do que o encontrado hoje em apenas uma edição do The New York Times. Poderíamos usar a Folha, o Estadão ou O Globo como exemplo tupiniquim… deve dar no mesmo.

O fato é que somos bombardeados por informações de todo tipo. Com as redes sociais, então, as metralhadoras se tornaram ainda mais potentes. Queremos compartilhar tudo o que vemos e sentimos, queremos que as pessoas “curtam” nossos status, desejamos ser vistos e admirados pelo que fazemos… ou alguém posta nas redes sociais as suas falhas, seus medos, seus pensamentos mais tenebrosos?

Mesmo assim, desejamos mais. A vida ultra-moderna, aquela que é líquida segundo o tio Bauman, nos faz buscar sempre mais. Nas horas de folga, precisamos “ler o livro que ficou de lado” ou “buscar aquelas informações extras que o professor indicou”, talvez “limpar a casa e desentupir a pia”.

Queremos mais, muito mais. Queremos encher a nossa cachola de informações que – pensamos – nos serão úteis. Até um dia, quem sabe, nossos cérebros inflarem de tanta informação, já que não sabemos do que ele é capaz. Já se foi o tempo da Idade Média, agora o tempo é dinheiro.