Público, eleitor, massa.

Acabei de reclamar no Facebook (o novo “xingar muito no twitter”) sobre o fato de só ter filmes dublados  no cinema em Itu. Imortais e Missão Impossível 4 poderiam ter opções em legendas, mas não tem.

Entendo que quem faz isso acontecer, no fim das contas, é o público. A grande massa que vai aos cinemas e dá dinheiro aos exibidores e distribuidores prefere filmes sem legendas. Afinal de contas, é mais fácil porque não precisa ler.

E a partir daí a gente pode ficar um bom tempo falando sobre preferências, educação do povo brasileiro, além do famoso “boom da Classe C” e blablablá.

E aí eu me peguei pensando sobre o poder da massa. Foi o público “que não gosta de ler” que definiu a quantidade de filmes dublados nos cinemas. O poder, no fim das contas, está com ele.

É na massa que reside o poder. É o povo que, unido, pode fazer escolhas. Através do voto, do grito, do protesto, das palavras, da atitude.

Os “poderosos” não serão tão poderosos quando todos nós aprendermos em quem realmente reside o poder.

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Novo Feliz

Tudo estava impecavelmente arrumado. A ampla sala de estar tinha todos os bibelôs no lugar, as almofadas organizadamente distribuídas pelo sofá branco, os tapetes devidamente enquadrados no piso. Pela varanda cheia de vasos, plantas e poltronas, via-se quase toda a cidade, cujas luzes já se acendiam, confrontando a já enfraquecida luz do sol, que se apagava no horizonte. Os porta-retratos mostravam pares de sorrisos que se repetiam: embora os rostos variassem de jovens a idosos, as paisagens e a tonalidade das cores fossem diferentes, eram as mesmas pessoas fotografadas ao longo de suas vidas. Continuar lendo

Ano, memória, blablablá

O ano vai chegando ao fim. E com ele, as listas, os “Top 10” e as retrospectivas. Isso é muito bom, porque só então eu percebo que minha memória é curta.
Não me lembrava da morte do ex presidente Itamar Franco… se não fosse a retrospectiva e eu tivesse um programa de TV, correria o risco de mandar um beijo pra ele.
Não sei se por muito trabalhar ou se porque tenho parafusos faltando, tinha a impressão de que a minissérie “Amor em 4 atos” havia sido exibida há uns dois anos. Mas se a lista de “melhores da TV” diz que é um dos melhores de 2011, eu acredito. O mesmo com “Cordel Encantado”, que eu não pude acompanhar e na minha cabeça parece que foi há um bom tempo.
O Bin Laden morreu… ou não. Tem coisas que só acredito vendo, e como não vi, prefiro deixar na coluna de “dúvidas” do meu “Excel cerebral”.
Mas o meu cérebro funciona diferente dos cérebros normais. Não sei se isso é melhor ou pior, mas é.
O fato é que 2011 foi um ano bom por muitas coisas. No âmbito pessoal, profissional (embora pudesse ser melhor) e teve diversos altos e baixos nos quesitos política, economia e TV… como todos os anos.
Como sempre, o ser humano tenta medir o imensurável, objetivar o subjetivo. O tempo,ao contrário do que pensamos,não é mensurável, e vai além da contagem de segundos-minutos-horas-dias-meses-anos. Cada um tem o seu tempo, o seu período de transição.
Dizem que fim de ano é época para refletir, repensar, renovar, blablablá. É se você quiser. Se não quiser, isso pode ser feito em qualquer época do ano.
Aliás, uma vez por ano é pouco.

NBlogs

Sempre gostei muito deste programa. Assisto mais pela internet porque nunca estou em casa no horário em que ele é exibido. Quando tem participação da @rosana , o programa fica ainda mais legal.

Este, em específico, falou de uma questão muito interessante.

Como eu não consigo “embedar” qualquer vídeo aqui no blog, vou ter que me contentar em deixar o LINK PARA O VÍDEO AQUI.

Programação vespertina

Tenho um canal de televisão aberta. Ele é um dos maiores do país em termos de alcance, audiência e faturamento. Minha programação é bem estabelecida no horário nobre, nas manhãs e no fim de noite. Mas a programação da tarde está complicada: nenhum programa parece dar certo, e a audiência cai muito.

Consegui algumas dicas do que pode ser colocado no ar para alavancar os índices de audiência. Na verdade eu paguei para ter uma consultoria de alguns blogueiros que escrevem sobre televisão. Veja só:

1-Adquirir um pacote grande de filmes a serem exibidos à tarde. Filmes infantis e “para toda a família”. Não sai muito caro e pode resultar em boa audiência;

2- Comprar algumas séries de TV enlatadas. Isso vai permitir que sejam feitos “testes” ao longo do tempo sobre qual série atinge mais o público. Desenhos variados também são bem vindos, embora seja bom não exagerar nas reprises.

3- Produzir um programa de variedades. Estúdio simples e uma equipe sem exageros podem fazer um programa de variedades com debates, discussões, informação e matérias interessantes. Se não trouxer muita audiência, ao menos o faturamento será bom.

 

Olha, pelo jeito não é tão difícil.

A desmoralização do poder legislativo

Recentemente, acompanhei dois acontecimentos muito semelhantes.

No começo da semana, por meio da rádio Band News FM, fiquei sabendo que os vereadores da cidade de Campinas votaram o aumento de 126% do próprio salário. Os membros do legislativo campineiro passarão a ganhar 15 mil reais por mês a partir de 2013. Como se isso não bastasse, o mesmo ocorreu ontem na minha cidade. O salário dos vereadores ituanos passará de 6 mil para 10 mil reais mensais. Embora com uma certa vergonha, não posso deixar de destacar que um dos vereadores que votou favorável ao aumento em Itu é meu próprio pai.

O poder legislativo no Brasil está completamente desmoralizado. Isso acontece devido a vários fatores:

1- O povo brasileiro não entende o que fazem os vereadores, deputados e senadores. Por isso votam em “qualquer um”.

2- Além de terem uma máquina pública caríssima e muito ineficiente, os membros do poder legislativo existem em número muito maior do que necessário. Em Itu, por exemplo, são 12 vereadores, quando apenas três conseguiriam fazer o mesmo trabalho, com ainda mais eficiência.

3- A corrupção. Não preciso nem perder meu tempo em dar detalhes. Claro que existe corrpução em todos os âmbitos, profissões e patamares da sociedade, mas os políticos conseguem fazer coisas absurdas e ainda acham perfeitamente normal. Pior que isso: não recebem uma punição sequer.

4- Conchavos. Os vereadores, deputados e senadores da Brasil não votam naquilo que acreditam ou no que pensam. Votam naquilo que foi “combinado” entre os membros do grupo político ao qual pertencem e, na maioria das vezes, são coordenados pelos prefeitos, governadores e outros membros do poder executivo.

E coisa vai piorando e se tornando algo muito mais complexo.

O fato é que uma sociedade não deveria permitir que uma classe de “profissionais” escolha o próprio salário. Ou você já viu alguma empresa que contrata funcionários e pede que eles escolham o quanto querem ganhar?

A população se revolta, mas não encontra mais nada que possa fazer. Xinga no twitter, fala mal no facebook, e embora haja maneiras de lutar contra tudo isso, é difícil unir e conseguir força para “derrotar os poderosos”.

Nosso poder continua sendo o voto. É uma pena que o povo brasileiro seja, em grande parte, ignorante e despreocupado com a política, além de ter uma memória muito curta.

Aqui em casa a discussão foi acalorada, e pelo menos tive a oportunidade de fritar um vereador com “poucas e boas”, algo que todo mundo gostaria de fazer.

Vale lembrar: só fiquei sabendo da decisão quando ela já estava sacramentada.