Sonhava com Estrelas

O texto abaixo eu escrevi há um tempo atrás. Republico aqui no Curyoso.

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Desde criança ele olhava para as estrelas. Sonhava com elas. Desde criança ele queria voar para o alto e tocar os pontos brilhantes do céu. Sonhava com naves espaciais.
Fora desde criança, também, que muitos lhe diziam que ele nunca iria conseguir. Sua mãe dizia que sim, mas com um olhar vago, sem firmeza, sem olhar nos olhos. Seu pai dizia que o melhor era prestar concurso público e ficar por aqui mesmo. Ele, menino, não entendia direito.
Ao longo do tempo, as coisas mudaram. Estudos, faculdade, trabalho, mas sempre com as estrelas presentes. Comprou equipamentos para olhar para o alto. Nos momentos de tempo livre, à noite, olhava para cada uma delas com carinho especial. Estudava livros de astronomia. A Lua lhe observava pacientemente, talvez a única que realmente acreditara que ele poderia embarcar em uma espaçonave. No fundo de seus sonhos, havia um pequeno brilho que ainda acreditava: bem que ele poderia ter sido um astronauta.
Em toda sua infância e adolescência, filmes e desenhos, séries e livros lhe diziam que ele poderia ser o que ele quisesse, e que nunca deveria desistir de seus sonhos. Mas ele desistiu. Foi levado a crer que construir uma casa, comprar um carro, pagar prestações, seria algo melhor.
Um dia, surgiu uma estrela em sua vida: linda, brilhante, ela iluminou seu caminho. Deu-lhe filhos, comida boa, amor. Mas ele continuava a observar suas estrelas-guia, e a mesma lua a lhe acompanhar.
Quando os cabelos se tornaram escassos e brancos, os movimentos lentos, parecia que a Lua continuava a mesma. Nem mesmo as estrelas envelheceram. E a voz persistia em dizer que, afinal, ele poderia ter seguido seu sonho de criança.
Mas quando os cabelos ficam brancos, a sabedoria fica grande. E ele sabia que bastava olhar para as estrelas, só olhar. Nesse momento, seria impossível se tornar um astronauta. Ele não era infeliz porque não conquistara suas estrelas. Era feliz demais, por ter conquistado sua única estrela, e por saber que ele poderia olhar para o céu com a certeza de que sonhar não custa nada.
E faz bem.

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