Ou seja…

No último sábado, a Record ganhou da Globo com uma das infinitas reprises de Pica-Pau. A Globo exibia Xuxa e Fórmula 1.
Enquanto isso, o SBT vem conseguindo excelentes índices com a reprise de Marimar, enquanto que a Record exibe um programa inédito e custoso, o tal “Marcas da Vida”.

Fato 1: para se ter audiência não precisa necessariamente investir pesado em programas caros.

Fato 2: audiência não é necessariamente significado de dinheiro: se eu fosse empresário, preferiria ter minha marca vinculada à Fórmula 1 que a um desenho antigo.

Conclusão: Um programa bem planejado para o horário e sem altos custos pode ser mais inteligente que um alto investimento por meio de parcerias grandiosas. No entanto, espero que as emissoras não caiam na tentação de reprisar sem produzir programas inéditos.

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Metonímia

Sempre utilizamos a metonímia.

Aos que não sabem, metonímia é o uso de uma palavra para se referir a outra. Utilizamos metonímias sem nem perceber. Na escola ou na faculdade, quantas vezes não dizemos “Vou estudar o Carlão o dia inteiro”… e na verdade você vai estudar o grupo de assuntos passados pelo professor Carlão.

“Beber Danone” é uma expressão muito comum, mesmo que a Nestlé seja a marca mais vendida. Tomar uma Coca-cola sempre vai ser bom, mesmo quando for Pepsi. E se a panela está suja, esfregue com Bombril, mesmo que ele seja, na verdade, Assolan.

Passar o fim de semana “na sua tia” (na casa da sua tia), beber um Champagne (mesmo que não seja produzido na específica região da França) e ler Cecília Meireles (algum livro dela), são outras metonímias comuns.

E o Ibope é uma das metonímias mais usadas nos dias de hoje. Se ninguém gosta do chefe, dizemos que o Ibope dele está baixo. Se os salgadinhos da dona Terezinha estão mais gostosos, dizemos que estão com o Ibope em alta. Quando dizemos que “o Ibope da Globo é alto”, na verdade a audiência é que permanece alta.

E agora chega ao Brasil um novo instituto de medição de audiência das emissoras de TV: a Nielsen. Com a promessa de atuar em maior escala de amostragem e em mais regiões do que o concorrente Ibope, a “nova” empresa (bastante velha nos Estados Unidos) parece ter condições de servir bem ao mercado publicitário e às emissoras. A Globo, no entanto, não se mostrou muito animada (por que será?).

O preço de R$54 milhões ao ano para a operação da Nielsen vai ser pago por emissoras interessadas. Talvez a empresa americana chegue para ficar e concorrer com o Ibope em medição de audiência.

Difícil vai ser ganhar nas metonímias.

Domingo

Tem horas que as coisas parecem dar uma parada. Parece que o cérebro pede por um pouco de férias, o corpo pede para dormir bastante. Deve ser por isso que ele fica com febre, esquenta e provoca tosses: para que prestemos atenção mais no corpo e menos nas extensões que criamos para ele.

E mesmo assim parece que tem algumas coisas no ar. E quer saber? Não vou ficar tentando resolver tudo agora. Não vou sofrer antecipadamente. Vamos esperar, e conforme as coisas forem acontecendo, a gente responde a elas. Se “o futuro a Deus pertence”, é para que saibamos aproveitar o presente.

——

Mudemos de assunto. Assuntos de domingo. Ou não.

Estou ficando cada vez mais irritado com a preocupação das minorias em relação a piadas e frases polêmicas. Agora a onde é ficar aparecendo por aí. Dá vontade de pendurar uma melancia na cabeça desses idiotas.

Dessa vez, foi o Caio Castro que disse que é melhor ter fama de pegador que de gay. Até aí, revela um pouco de preconceito da parte dele… e só. Mas resolveram fazer Cataratas do Iguaçu na descarga da privada. Não foi uma piada, mas aconteceu o mesmo que ocorreu com o Bastos e seu bebê, com Sandy e seu prazer anal, com atores e jogadores de futebol que parecem ter mostrado suas regiões íntimas na internet.

O Brasil está ficando insuportavelmente conservador, hipócrita e retrógrado. A primeira década do século 21 já foi, e ainda se preocupam com a vida alheia, ainda acham que sexo é coisa do capeta, ainda pensam que famosos não são seres humanos, ainda valorizam os seres humanos que supostamente atingem um patamar superior no jogo midiático.

Atenção: parem de valorizar coisas desvalorizadas, parem de achar que sexo é coisa de outro mundo, e parem de fazer tempestade em copo d’água. O grande problema é que querem dar lição de moral no mundo todo sem olhar para o próprio umbigo.

Gatonet e os gatos por aí

Nas comunidades cariocas que foram recentemente pacificadas, o famoso “gatonet” foi retirado. Ou seja: os  moradores agora tem que pagar pela TV por assinatura. E estão pagando.

Quem ganhou com isso foi a TV Embratel, que opera na maioria dos morros cariocas. O canal mais assistido pelas donas de casa é o Discovery Home & Health.

Acredito que o povo brasileiro também ganha muito com isso.

Fazer “gato” de energia elétrica, água e TV por assinatura é o mesmo que comprar CD e DVD pirata. Só faz mal. Faz mal pra economia, pra sociedade e para os aparelhos ou a rede de transmissão de dados. Os preços abusivos dos produtos não são desculpa para praticar esse tipo de corrupção (aliás, R$29,90 por mês para uma TV por assinatura não é nada abusivo).

Corrupção sim. Comprar produto pirata, fazer gato, e todos os milhares de “jeitinhos” do povo brasileiro são formas de corrupção. E isso só se muda através da educação.

As pessoas reclamam dos políticos que aceitam propina, corrompem organizações e fazem conchavos com ONGs. Mas não percebem que isso vem “de baixo”. Antes de serem políticos corruptos, os deputados, senadores e ministros são cidadãos corruptos. Querem se dar bem e não se preocupam com os outros.

Tudo isso pode ser visto nas pequenas atitudes. Boa parte do povo brasileiro é corrupta por natureza: para o carro em vaga de idoso sem ser idoso (é rapidinho!). Inventa mentiras para recorrer à multa de trânsito. Fura filas. Paga um “troquinho” para o policial não multar. Sonega o imposto de renda. Compra votos nas eleições. Vende o próprio voto em período eleitoral. Faz carteira falsa de estudante para pagar meia entrada. E a lista segue…

Cabe a cada um fazer a sua parte.

Não sou hipócrita para dizer que nunca furei uma fila. Mas me esforço para não cometer erros graves. Preços caros e abuso das autoridades não justificam que façamos a mesma coisa.

Pontos

Alguns pontos a considerar:

 

Eis que as coisas na TV ficam cada vez mais diferentes. E cada vez mais iguais. O SBT está conseguindo ótimos índices pela tarde mas ainda perde pra Record no horário nobre. Foi copiado naquela história de colocar filmes especiais nos feriados, mas ainda tem um pouco a percorrer para voltar ao segundo lugar. Se a Record continuar economizando dinheiro, planejando mal suas produções, e exibindo The Love Story à tarde, a vida do tio Silvio vai ser mais fácil. Ninguém cresce tanto, nem cai tanto, nem nada. Vai ficando tudo a mesma coisa. Sai o Tom, entra o Justus, sai um entra outro e a gente vai ficando com preguiça. Zzzzzzz.

 

Um pequeno adendo: – “The Love Story”? Que P#$%A é essa?

 

A TV por assinatura vai mudar. A nova lei, que prevê a criação e exibição de conteúdo nacional na TV paga deve aumentar bastante o número de produções nacionais. Se serão produções de qualidade, aí é outra história. Já está provado que o povo brasileiro prefere coisas brasileiras ou, pelo menos, dubladas. Preferir programas nacionais, Ó-quêi. Mas preferir dublagem não é significado de valorização da língua de Camões, e sim falta de capacidade de ler legendas.

Já escrevi sobre esse tema duas vezes no Cinem(ação): AQUI e principalmente AQUI. A quem quiser ler mais argumentos a respeito do assunto, seguiro que leiam este texto do Pablo Villaça.

 

E a Denise Del Vecchio que é transexual? Achei sensacional. Palmas pra Cristianne Fridman que está finalmente alcançando o que conseguiu com Chamas da Vida. É uma pena que ela vai sair da Record depois dessa novela. Pelo que dizem.

 

Maurício Meirelles sempre mereceu mais do que tinha no Legendários. E agora vai pro CQC. Merecido. Espero que o programa se renove um pouco em 2012, com trocas importantes de repórteres.