Mais um texto: “O trambiqueiro…”

Este texto também foi publicado no Profundezas da Mente. Estou republicando aqui.

Na verdade, eu não fiquei muito satisfeito com ele. Parece que falta alguma coisa. Escrevi baseado em “fatos observados não exatamente reais”. Encavalei várias coisas. Acho que ficou minimamente divertio.

Se quiser,

O TRAMBIQUEIRO DA RODOVIÁRIA, A MULHER DO BOQUETE E O JOÃO MERDA….

*proibido para menores de 18!

A rodoviária é verde. Cor de musgo. Mal cuidada e cheia de bêbados, mendigos e outros tipos que não tomam banho. Todos os dias, ele chegava de carro. Um velhinho na direção, uma velhinha que devia ser sua mãe: ele dava um beijo atropelado nela, e ia embora.

Ficava lá, esperando. Andava de um lado pro outro de um jeito desengonçado. Parecia ter uma perna maior do que a outra. Cabelos grisalhos: uns 45 anos, mais ou menos. Sempre de camiseta, jeans e sapato.

Falava ao celular. Todos os dias. Como se esperasse por uma pessoa. Às vezes, parecia ter algum tipo de distúrbio mental. Mas só parecia. Um tique nervoso, cabeça sempre sendo puxada para o lado direito.

Certeza que era trambiqueiro. Dava até pra imaginar uma história.

Sua comparsa, uma mulher de uns 30 anos, morena, gorda e jeito de cigana, tinha os “esquemas”. Ele que vendia os equipamentos roubados. A mulher pagava 30 reais pra cada roubo peças de carro que uns moleques do bairro. Às vezes não tinha dinheiro, aí pagava com favores sexuais… que mal tinha uma chupadinha? Levava na rodoviária, todos os dias, uma sacola com algumas peças. Ele sempre chegava lá por volta das 7:40. Ela pegava o busão às 8:00 e chegava lá umas 8:30, mas sempre variava porque o ônibus não tinha bem um horário muito fixo.

O trambiqueiro pegava, vendia no ferro-velho e na manhã seguinte ia com a grana. Ela não sabia, mas ele embolsava um pouco mais do que o combinado. Peça de carro roubada não dava lá muita grana mas sempre tinha demanda. Além disso, o trambiqueiro também tinha esquema com uns policiais. Pegava sempre alguma maconha que era apreendida na delegacia, e em troca mantinha os meganhas informados sobre seus vizinhos bandidos lá da comunidade. A maconha ele dava pra mulher vender… ela geralmente vendia só um pouco pra alguns maconheiros da vizinhança, mas acabava fumando boa parte do que comprava. Mas isso não era feito na rodoviária porque ficava mais arriscado.

A parte das drogas era feita à noite, num beco. Parecia que eles eram pessoas diferentes. O cara não mancava tanto, a mulher colocava roupa curta em vez de vestido. Até se tratavam diferente… era de noite, e todos os gatos eram pardos. Uma vez ele até comeu ela lá no beco mesmo… tava tendo festa no centro da cidade e os dois estavam meio bêbados. Nunca mais falaram do assunto. Continuaram a fazer as trocas, que eram vantajosas pra todo mundo.

A cidade era pequena, e algumas pessoas sabiam dos esquemas. João Merda tinha 17 anos e já era famoso pela malandragem. Magrelo, ligeiro, esperto. Roubava peça de carro sem pensar no dinheiro, queria mais era que aquela vaca chupasse. Porque as mina de hoje não sabem mais chupar direito, aquela é que sabia. Viu que podia ganhar grana com a maconha do cara, e propôs pegar o lugar da mulher, sem que ela soubesse.

Começaram o esquema numa maloca do outro lado da cidade. À noite. O cara inventou pra mulher que o policial deu o cano. No começo ela acreditou.

Deu três meses e tava tudo indo bem. Ela precisava de mais peça de carro, João Merda (que não era pouca bosta) roubava mais e ganhava mais boquete do que nunca. Mas um dia a mulher ficou sabendo que o “pretinho do pinto grande” tava ganhando uma boa grana. Aí ela desconfiou.

Mexeu os pauzinhos e descobriu que os filhos da puta tinham sacaneado. Quis resolver na bala.

Chegou na rodoviária… chamou o cara pro canto do lado da praça, fora da vista dos bêbados. Disse que queria mudar um pouco porque tava chamando atenção. Puxou a pistola: “sacaneou comigo, agora vai vender maconha pro demônio”. E atirou. Não deu muito tempo pra conversa fiada.

Agora ela ia ter que vender as peças por conta, ou arrumar outro babaca pra fazer isso. Mas só amanhã. Foi pra casa descansar, pra ninguém desconfiar dela. Os velhinhos que levavam ele pra rodoviária não iam dar conta de arrumar nada… iam enterrar o filho e pronto. Quem sabe não morriam junto, já economizava velório. Mas isso não era problema dela.

À noite o João Merda ficou plantado esperando. Só depois foi descobrir que o imbecil virou presunto. Matou a charada na hora (falei que ele não era pouca bosta!). Chamou a dona na xinxa, e ela se perdeu: “Tu acha que eu ia matar o cara só porque ele começou a passar a erva pra tu?”. Aí ele sacou tudo de vez. Pegou a faca do limão e meteu na barriga dela. Deu mais umas duas facadas. Dava dó de perder o melhor boquete do mundo, mas não dava pra correr o risco de se fuder por causa daquela vadia.

Sumiu com o corpo dela, esperou a poeira baixar. Começou a roubar as peças, levar pro ferro velho. Levou o policial na conversa e na grana, e começou a pegar ainda mais maconha, cocaína e até crack de vez em quando. Fazia a festa dos drogados… e começou a ficar rico.

Mas nunca mais encontrou boquete melhor.

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3 comentários em “Mais um texto: “O trambiqueiro…”

  1. danielmiyagi disse:

    Ainda bem que está publicando seus textos ficcionais no blog, pois fica um meio de registro. Deixa eu fazer uma pergunta: acha que a médio ou longo prazo a literatura será totalmente virtual? O livro de papel estará com seus dias contados?
    http://danielmiyagi.blogspot.com/
    Abraço
    Daniel Miyagi

  2. FABIOTV disse:

    Olá, tudo bem? Parabéns pelo novo espaço! Desejo muito sucesso.. O Álvaro José gritou tanto nas transmissões da Record que agora perdeu a voz na cobertura da ginástica kkkkk.. Melhor assim.. Pelo menos não berra.. Abraços, Fabio http://www.fabiotv.zip.net

  3. FABIOTV disse:

    Olá, tudo bem? Parabéns pelo novo espaço! Desejo muito sucesso.. O Álvaro José gritou tanto nas transmissões da Record que agora perdeu a voz na cobertura da ginástica kkkkk.. Melhor assim.. Pelo menos não berra.. Abraços, Fabio

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